Obra Interativa:"Divisor", Lygia Pape
Em uma entrevista a própria artista se diz surpresa pela forma como sua obra foi usada em seus primeiros testes. "Quando eu fiz [Divisor], foi muito interessante. No final da minha rua, que é sem saída, há um rio, uma pequena ladeira e havia uma favelinha. Eu fiz o primeiro e não sabia muito bem como ia mostrar para as pessoas, então eu o abri na ladeira, espalhei pelo chão, que não tinha objetos interferentes. Ficou muito bonito com a projeção da mata sobre ele. Aos poucos as crianças da favela começaram a pular em cima do pano, escorregar sobre ele, acharam uma brincadeira fantástica até que um levantou uma ponta do pano e descobriu uma fenda, enfiou a cabeça nela e imediatamente a criançada toda fez isso. E começaram a descer a ladeira, todos enfiados, com as cabecinhas dentro do divisor.", diz Pape sobre a obra.
Apenas por esse primeiro teste já é possível presumir que essa é uma obra que não precisa de instruções para ser usada e que quebra com a prefiguração, ao ser usado de diversas maneiras que não estavam previstas, num primeiro momento.
Ao mesmo tempo, o Divisor também se torna uma obra bastante programática, a partir do momento que os rasgos são feitos de maneira aleatória no tecido e usado por muitas pessoas num mesmo momento. Esses detalhes fazem com que o tecido dificilmente atinja uma mesma configuração e forma igual mais de uma vez.

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