Um diálogo com a Animação Cultural, de Vilém Flusser

Naturalmente, quando pensamos em sermos subordinados pelo que quer que seja um sentimento ressalta às nossas mentes. No meu caso o sentimento materializado foi o medo. Medo de que por um pequeno segundo a "mesa-redonda" do texto de Vilém Flusser consiga convencer à todos de sua superioridade em relação aos seres que a criaram. Esse medo ressoante em minha mente tem uma validade absurda, afinal, é perceptível que a maior necessidade de qualquer ser humano seja criar. O homem sente uma ânsia tão grande por inventar novos objetos que  muitas vezes, o mesmo vive em função disso, deixando de ser absolutamente livre para fazer aquilo que realmente deseja e sendo forçado, inconscientemente, à cumprir com sua necessidade ferrenha por novas criações. Sabemos também que quanto mais conhecimento empregamos na criação de um objeto mais funcionalidades o mesmo terá, o que nos faz pensar se já não chegamos ao ponto de que muitos objetos tendem a se igualar, ou até mesmo ultrapassar seus criadores em intelecto, como exemplos disso temos os computadores e smartphones, que fazem pesquisas em poucos segundos de assuntos que um ser humano comum levaria dias realizar. Esses dois exemplos são, claramente, as maiores provas de que já somos dependentes de objetos para viver. Com isso que já foi dito, somos capazes de notar que a relação homem-objeto não segue tão bem essa lógica. O que vemos diariamente, é um homem cada vez mais fissurado pelas criações que já foram feitas e extremamente ansiosos pelas novas que ainda estão por vir. Logo, não somos capazes de afirmar que o objeto está ali, exclusivamente, para servir ao homem, sem que aconteça o mesmo em relação contrária, o homem também está ali para servir ao objeto, criando assim uma relação bilateral entre o ser humano e suas criações. Um não pode existir sem o outro. Neste momento, talvez o medo de subordinação por objetos pensantes como a mesa de "Animação Cultural" esteja passando e sendo substituído por uma real clareza dos fatos. A verdade, por fim é que um não pode dominar o outro afinal nenhum deles tem autossuficiência diante do outro. Uma relação parecida ocorre quando estudamos certos mitos da "criação" do homem. Nesses mitos o homem é fruto de uma criação realizada por um "ser superior" que o forma como se fosse um objeto com suas funções e características. Fica claro nesse momento, que o homem, que considera seu "criador" uma entidade superior e inalcançável diante deles, deseja ser o mesmo para os objetos que eles criam. Entretanto, esse desejo se perde logo que se inicia o processo de criação, pois o homem passa a viver em função daquilo que pretende criar e no fim não acontece apenas o contrário, o homem continua a existir pelo objeto que criou. Isso afirma, mais uma vez, que a relação entre criador e criatura não é unilateral e nunca um deles irá se sobrepor ao outro.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Obra Interativa:"Divisor", Lygia Pape

Obra Interativa: "1984x1984" Rafael Lozano-Hemmer